Quanto custa a autonomia financeira?

Descubra quanto custa a autonomia financeira e como a auto responsabilidade tem importância nesse cenário!

Alvin Tostig

Alvin Tostig

Autor do Papo de Grana

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Sabe qual o valor da sua autonomia financeira? Vamos descobrir. Em um sucinto texto do final do século 18, intitulado “Resposta à pergunta: que é esclarecimento?”, o filósofo Immanuel Kant atribui ao próprio espírito humano, à sua covardia e sua preguiça, a responsabilidade pela confortável prisão no que ele chama de “menoridade intelectual”. O esclarecimento, propõe o filósofo, é a saída desta menoridade intelectual, que consiste em submeter-se frequentemente a tutela alheia na tomada de decisões.

O argumento de Kant é bastante simples: é menos trabalhoso atribuir a outros decisões difíceis do que tomar as rédeas da própria vida. Fazer escolhas envolve um grande gasto de energia e dedicação. Mas além de todo o esforço para decidir o que é melhor, há algo ainda mais aterrorizante: a responsabilidade de assumir os resultados de nossas escolhas.

Recorremos a padrões morais fornecidos pela religião para nos dizer o que é certo e o que é errado. Muito mais prático do que avaliar cuidadosamente os casos que nos metemos a julgar.

Conhecer as pessoas, compreender suas necessidades, saber o que as motiva? Demora muito. É mais fácil recorremos aos estereótipos culturais e comportamentais de cada raça para nos dizerem em quem confiar.

O que faz mais sentido?

Estudar um pouquinho de economia ou olhar atentamente para os resultados de alguma política de saúde pública antes de nos posicionarmos sobre algum assunto do debate nacional? Temos mais o que fazer! O bom é recorremos a ideologias políticas para nos dizer quais são os melhores modelos de desenvolvimento para nosso país.

Intimidade, conversa e dedicação? Tem assunto que dá vergonha. Melhor lermos um blog badalado de comportamento para nos dizer como dar prazer sexual aos nossos companheiros ou então como garantir o nosso.

A lista é enorme e o exercício de organizá-la nos levaria a uma outra e ainda mais divertida e perigosa lista: a das convergências. Nossas crenças e comportamentos acabam parecendo um combo de empresas de telefonia e TV por assinatura. A gente puxa uma crença e acaba levando um pacote inteiro. Quem é a favor da liberação do uso recreativo de determinada droga também reivindica o direito ao aborto, tem o lado A na disputa da Faixa de Gaza e precisa se posicionar de um modo específico quando o assunto são políticas afirmativas.

E não é só a praticidade na hora de agir e pensar. Se tudo der errado, sempre podemos terceirizar a culpa. O moço ou a moça não se satisfez? Culpa daquele blogueiro! E, rapidinho, podemos tratar de arrumar outro.

Mas o que, afinal, isso tem a ver com dinheiro? Muito!

E com a autonomia financeira também. O dinheiro é um produto cultural, cujo valor é simbólico, e depende da aceitação e da crença de determinada comunidade. Se você está sozinho em uma ilha, mil dólares vale bem menos do que uma barra de cereais. Mas durante muito tempo a circulação do dinheiro dependia de um suporte material.

Entenda de vez como funciona esse negócio chamado dinheiro clicando aqui!

Hoje, este suporte material está desaparecendo. Primeiro veio o cheque, que permitia reduzir a um pedaço único de papel as milhares de notas antes necessárias para se comprar uma casa. Com o cheque, o volume do suporte material do dinheiro perdeu sua correlação com o valor, mas nós ainda entregávamos um objeto a uma pessoa. Tínhamos que escrever duas vezes (em algarismos e por extenso) o valor do qual estávamos abrindo mão em cada pagamento. Então apareceu o cartão de crédito para terminar com o velho procedimento de dar algo a alguém.

As mudanças e o estímulo para o consumo

Até mesmo os investimentos passaram por essas mudanças. Dos imóveis aos bitcoins, tudo está cada vez mais virtual. Mas não é apenas o fim da materialidade que tem nos feito perder a noção do quanto gastamos.

A sociedade de consumo nos estimula a gastar mais e as facilidades do débito programado nos permitem perder menos tempo com o ato de pagar contas. O tempo de trabalho que precisaremos para bancar os juros do endividamento é uma nota de rodapé ou nem isso. O resultado? Nos Estados Unidos, 20% das famílias de classe média têm gastos superiores à renda. Em Portugal, o número chega a 35% e, no Chile, a 60%.

As necessidades que a TV e o Google nos criam e as facilidades que bancos e cartões de crédito oferecem talvez criem uma bolha imobiliária aqui, uma geração de endividados ali, mudanças climáticas por todo o planeta mas, no final das contas, o que importa é usufruirmos das comodidades que merecemos. Será?

Ter atitude é necessário e estabelecer objetivos é uma forma de demonstrar!

Ter uma vida financeira saudável, se comprometer menos com pagamento dos juros de dívidas e constituir um patrimônio que garanta uma vida confortável quando tivermos menos condições de trabalhar, demanda algumas atitudes. Estabelecer seus objetivos talvez ajude. Saber onde você quer chegar é determinante para traçar o melhor roteiro. Mas não basta ter um propósito, é preciso encarar o fato de que, quando o assunto é autonomia, conhecimento é sempre a primeira condição de avanço.

Também não se pode olhar para as oportunidades e adversidades do mundo como se estivéssemos no centro da justiça universal. Ensinamos nossos filhos a se comportar bem para “merecerem” certos presentes, mas talvez devêssemos ensinar que, para além de merecer ou não alguma coisa, há sempre um custo que precisa ser pago, agora ou no futuro. E os custos não são apenas financeiros, são também ecológicos e sociais, e é apenas nas nossas mais ingênuas ilusões que estes custos podem ser terceirizados.

No fim das contas, nossas horas de trabalho e descanso são, em grande parte, uma função das escolhas que fazemos. Podem estar a favor daquilo que nós queremos para nossas vidas ou das implicações desconhecidas de escolhas que fazemos irresponsavelmente.

O esclarecimento e a autonomia financeira custam muito. É preciso estar disposto a aprender e a investir no aprendizado, e também necessita a coragem de assumir as responsabilidades de nossas escolhas e a compreensão de que nem só de merecimentos e boa vontade se faz uma vida feliz. Há de se encarar as contingências da sorte, saber lidar com o acaso e estar apto a aproveitar as boas oportunidades.

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Pode dar um pouco de trabalho? Sim. Vale a pena? Bem, como dizia aquele poeta português cheio de heterônimos: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Conta com a gente nessa jornada de auto descoberta!

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