—  Organizando Finanças Pessoais
Como criar o hábito de poupar

Você vai até o supermercado, leva uma lista pronta para comprar só o que precisa, mas chega na hora, passa na frente daquele iogurte do sul da Dinamarca de R$ 20 e não resiste. Na hora de pagar, ainda tem a coragem de afirmar: “nossa, como os preços aumentaram!”

Depois, você vai ao shopping e vê aquela blusa de corrida e se dá conta que todas as 20 que você têm não são mais boas o suficiente e você precisa de uma nova. Não é que você “quer” é que você “precisa”.

No final do mês, sai o dinheiro e entra a dúvida: pra onde foi todo meu suado dinheirinho?

Mas não se apavore, você não está sozinho nessa! Nossa relação com o dinheiro é assim, bem menos racional do que gostaríamos.

Mudança de hábito!

Nós brasileiros não temos o hábito de planejar as coisas para o longo prazo. Mal conseguimos planejar o que vamos fazer no fim de semana, que dirá planejar algo para 10 anos. Mas a boa notícia é: hábitos podem ser criados e também mudados, e isso pode te ajudar a conseguir comprar aquela casa, fazer aquela viagem que você sempre quis, casar com aquela pessoa que você ama e, também, conseguir comprar o iogurte do sul da Dinamarca a R$ 20 sem que doa no seu bolso!

Por que é difícil mudar/criar um hábito (começar a poupar)?

Para entender um pouco melhor como mudar isso, vale entender como nossos hábitos se formam. De acordo com o excelente livro do Charles Duhigg, O Poder do Hábito, um hábito tem três componentes:

Gatilho: algo acontece e seu cérebro entende este gatilho como um chamado para entrar no modo automático e escolher qual rotina usar. É o sinal do recreio!

Rotina: é uma ação física, emocional ou mental que é automaticamente acionada pelo gatilho. É pular da cadeira e sair correndo para o pátio.

Recompensa: um estímulo positivo ocorre e diz ao seu cérebro que aquela rotina funciona e por isso deve ser armazenada. É o lanche delicioso e as brincadeiras com os coleguinhas no pátio.

Sim, o exemplo da escola é apropriado para entender que fazemos isso desde sempre. As situações do mercado e do shopping só são variações adultas (será?) do sinal do recreio.

Sabendo disso, precisamos entender que bons e maus hábitos funcionam segundo o mesmo mecanismo. Esse é o primeiro passo para desarmar a bomba. Se é fácil? É muuuuito difícil, mas não desista, pois é possível.

Como mudar/criar um hábito?

Então fica a pergunta: como podemos desenvolver hábitos que nos ajudem a poupar, evitar compras por impulso e a cuidar melhor do dinheiro?

1 – Mude um hábito por vez

Não adianta querer economizar, emagrecer, fazer exercício, tudo ao mesmo tempo. Escolha uma batalha por vez, senão aparece uma sensação de impotência que nos paralisa. Pequenas vitórias é o nome do jogo.

2 – Comece a medir

Tenha um caderninho (ou celular para os mais “tecnológicos”) onde você anota a cada vez que você age diferente do que você gostaria na sua meta. Se o que você quer mudar é a compra por impulso (o mais frequente e danoso dos maus hábitos financeiros), anote toda vez que você comprar algo por impulso. Não se puna quando acontecer!

3 – Isole o gatilho

Tente entender o que desencadeia a ação da compra por impulso e tente reduzir a freqüência dele em sua vida. Se pegarmos o iogurte dinamarquês como exemplo, dos maiores erros que cometemos é ir ao supermercado com fome. A fome aumenta nossa irracionalidade. Uma ou duas bananas antes de entrar já devem resolver grande parte do problema.

Ainda, segundo o livro do tio Charles Duhigg, um gatilho geralmente pode se encaixar em uma das cinco categorias a seguir:

  • Um lugar: Onde você se encontra quando surge a rotina (o shopping)?
  • Um horário: Quando surge esta rotina?
  • Um estado emocional: Como você se sente quando surge esta rotina (a fome!)?
  • Outras pessoas: Com quem você está quando ela aparece?
  • Uma próxima ação clara: Sempre faço isso antes de fazer aquilo.

Anotar toda vez que acontece, é o começo!

4 – Não se “chicoteie” quando um deslize acontecer

A sensação de culpa e o automartírio são os piores inimigos da mudança de hábito, pois eles tiram nossa autoestima e a capacidade de fazer melhor, de fazer acontecer. Mesmo os monges tibetanos caem em tentação! Aceitar e observar o que aconteceu, com curiosidade genuína é mais efetivo que se chamar de “burro, imbecil e incompetente”. “Hmmm, comprei de novo a m… do iogurte dinamarquês. Será que foi por que estava com fome? Foi por que era no início do mês e achei que estava rico?”. Se abraçar e se acolher quando errar, tende a funcionar melhor para a mudança que se punir.

5 – Substitua o mau hábito em vez de eliminá-lo

Tudo fica um pouco mais simples, quando substituímos os hábitos. Temos que entregar algo para satisfazer nosso cérebro no lugar daquilo que tiramos, senão vai ter bronca. E se em vez do iogurte importado eu pegar um bom iogurte nacional. E se eu decidir que toda vez que eu tiver vontade de comprar algo no shopping eu vou entrar numa livraria (não funciona se seu problema é com livros 🙂 ). Melhor ainda: e se eu evitar a todo custo ir ao shopping e só for quando tiver uma lista concreta do que comprar?

Agora que tem uma lista de 5 passos é só ir lá e fazer certo? Como gostaríamos que fosse fácil assim! Ainda assim, nossa única opção é não desistir da busca, sendo todo dia um pouquinho melhor que foi ontem. Quais são seus maus hábitos de consumo?

(Photo By Alisha Hieb)

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