Aula 3: Como funciona a economia

Dinheiro: de onde vem? Do que se alimenta?

Se ficou com preguiça de assistir o vídeo, não tem problema! Entregamos o conteúdo mastigadinho por escrito também!

Carmen

Carmen

Autora do Papo de Grana

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Na última aula, aprofundamos mais na sua relação com o @dinheiro (Que? Não assistiu? Corre lá: internallink.com.br).
Agora, chegou a hora de stalkear a história desse cru$h! A verdade é que o dinheiro é uma parte tão intrínseca da nossa vida que mal poderíamos imaginar como seria se ele não existisse. Louco, né nom.
E aí te fazemos a pergunta: você sabe de onde ele vêm? Qual a história por trás do tão popular dinheiro que tanto te mobiliza?
Bueno, vamos começar do começo, 5 mil anos no passado. Imagine que, nesse cenário, você era um pescador super habilidoso. Suas pescarias rendiam muitos peixes, garantindo que você sempre tivesse o que comer. Acontece que, depois de um tempo, você cansou de só almoçar e jantar peixe. Foi aí que decidiu variar o cardápio. Usando alguns neurônios, você conclui que, se juntasse alguns peixes extras, poderia trocá-los por carne velha. Se quisesse mais um arrozinho pra acompanhar, faria outra troca. Pra conseguir uma saladinha e manter a vibe fit? Mesma coisa: troca.
Assim, seu trabalho consistia em pescar, carregar os peixes de um lado para o outro e determinar um valor de troca entre os produtos (tantos peixes por tanto de outro produto). O bom e velho escambo.

A Forbes e as Fintechs de milênios atrás

Esse não era só um método de transacionar coisas, mas também de medir riquezas! Lembra da famosa história de Jó? Pois então, o cara possuía 7 mil ovelhas, 3 mil camelos, 500 juntas de boi e 500 de jumentas, o que o tornou o homem “mais rico” do Oriente. Isso é que é poder. Só pra te dar um parâmetro palpável, se existisse Forbes naquela época, o Jó estaria no topo. Já imaginou a manchete? “Jó, o maior do Oriente, conta como acumulou 7 mil ovelhas antes dos 30 anos”. Que brisa. Só tinha um problema: imagina que mão ter que ficar contando toda hora as ovelhas, os bois e todo bando de bichos pra poder medir a sua riqueza? Foi aí que algum gênio pensou o que muitos de nós pensamos em várias áreas da vida: “tem que ter um jeito mais fácil de fazer isso”. E tinha. A primeira ideia não foi das melhores, pois escolheu-se o boi como métrica – teoricamente, era um animal mais fácil de levar pra lá e pra cá. Logo mais, percebeu-se que essa talvez não fosse uma ideia muito disruptiva e eficiente. Aí substituíram o boi por um produto muito utilizado para conservar alimentos: o nosso famoso SAL. Os resquícios dessas primeiras escolhas (o boi e o sal) como medida de riqueza possuem resquícios no nosso dia a dia até hoje. Por exemplo: capital vem do latim capita, que significa cabeça (do boi) e salário deriva do latim salarium, que significa “pagamento de sal”.

Como você pode imaginar, ficava um pouco difícil de acumular boi e sal, visto que são produtos perecíveis. Chegou a hora de se pensar em algo mais eficiente ainda. Foi aí que acabamos no metal: ele, poderosíssimo, raro, maleável, brilhoso e fácil de se transportar. Olha que beleza. No início dessa moda, o metal era usado em seu estado natural. Aí, depois, evoluiu para o uso em barras, outros objetos, e por fim com seu peso impresso junto com a marca de quem emitiu, já no formato de moedas. Esse acontecimento é láá do século VI (seis) antes de Cristo, ou seja, BASTANTE tempo atrás. As moedas – já muito moderninhas – eram cunhadas em ouro e prata: metais raros, imunes à corrosão e com sua pegada mística que ligava o ouro ao sol, e a prata à lua. Como essas moedas eram fáceis de se armazenar, muitos proprietários começaram a guardar ourives e, em troca, emitir recibos desses ouros. Ou seja, digamos que você deixou 10mil moedinhas de ouro com o Mario pra ele guardar. Nesse caso, o Mario te daria um papel como recibo, dizendo que você tem 10 mil moedinhas de ouro lá com ele. Como você pode imaginar, não demorou muito para que esses recibos fossem usados como troca também. Afinal, pra quê andar com várias moedas de ouro pra lá e pra cá se você pode usar um pedaço de papel no lugar delas? Até hoje a gente segue querendo “se livrar” das moedas ou trocar por cédulas pra não ter que andar com elas na carteira ou no bolso.

Bom, continuando nossa viagem no tempo: pulamos para Inglaterra, século XVII (dezessete), quando surgiu o primeiro banco! O procedimento seguia sendo mais ou menos o mesmo: pessoas levavam ouro e prata até o banco e, em troca, recebiam um recibo com a quantia lá depositada. Esse sistema durou muuitos séculos. Podemos, inclusive, dizer que ele viralizou, pois foi copiado por vários outros países! Em determinado momento, o volume de transações já estava tão grande que se fez necessário a criação de bancos centrais para organizar a bagunça. Desde então, o mundo financeiro nunca parou de inovar: transações bancárias foram ficando cada vez mais simples, surgiram os cheques, cartões de crédito, as transações eletrônicas, home banking, paypal, e, a cada dia, surge uma nova fintech (essa palavra chique é fruto da junção de “finanças” com “tecnologia”)! As fintechs facilitaram e melhoraram a forma como pagamos, controlamos, investimos e cuidamos do nosso dinheiro. Pega essa retrospectiva: da sacola de peixes à sacola de sal a moedas de ouro, ao papel, cartão de crédito até transações feitas com dois ou três cliques no celular. A natureza humana é evoluir (verdades poéticas), e essa característica, aliada a um modelo econômico que impulsiona essa evolução, criou – e seguirá criando – soluções fantásticas. Não estamos falando apenas da TV de LED, nem do carro que vai de 0km a 100km em meio segundo. Falamos dos vários setores que estão em constante evolução – e cada vez mais rapidamente, inclusive. Tá, fecha os parentes filosóficos e voltemos à nossa missão de money stalkers.

O dinheiro circula no nosso dia o tempo todo. É com ele que compramos aquele iogurte orgânico delicioso (ou nem tanto), pagamos o aluguel, cortamos o nosso cabelo e muito mais. Mas a questão aqui, ou melhor, AS questões são: como ele circula? Como ele se multiplica na economia? De onde vem e para onde vai? Bora descobrir. A economia é uma engrenagem fascinante, composta por pessoas, empresas, governo e milhõõões de transações por segundo. Quando uma pessoa compra algo – tipo o pescador trocando seus peixes por arroz – uma transação ocorre. O valor pago por um é a receita do outro. Nesse caso, o dinheiro serve como conversor para troca entre duas pessoas – e a economia seria muito mais simples se fosse apenas isso: um grupo de pessoas transacionando, entre si, os bens e serviços que produzem. Mas né, aí não teria tanta graça! Ainda bem que a economia é bem mais complexa que isso, principalmente por uma palavra bem famoso no nosso vocabulário: O CRÉDITO!

Crédito = I want it, I got it (só que com juros)

O tal do crédito é uma variável fundamental na nossa economia, mesmo com sua má reputação entre algumas bocas por aí. Então deixa eu te explicar o combo de palavras “ainda bem” + “crédito” que fizemos ali em cima. Acontece que o mundo hoje (como conhecemos) surgiu e cresce em cima de um sistema de crédito. Qualquer um que tenha a possibilidade de entrar em um mercado com milhares de itens, escrever um e-mail, assistir um vídeo no youtube, tirar uma selfie com celular ou até mesmo comprar um remédio na farmácia da esquina, se beneficia desse modelo econômico.

Antes, o que era um terrível sofrimento (tipo uma dor de cabeça que poderia durar semanas) pode ser resolvido na tal farmácia da esquina em instantes hoje em dia. Basta comprar uma aspirina de, sei lá, 1 real. Pode parecer um exemplo tosco, mas a verdade é que ele só se faz possível por causa de um sistema que estimula toda essa cadeia: da criação à venda do produto. Eee adivinha?? Tudo isso se inicia com a estrela desse vídeo: tcharan! O crédito. Vamos te explicar tim tim por tim tim. Voltemos ao exemplo dos nossos amigos já conhecidos: vamos voltar aos nossos amigos já conhecidos: o pescador, o produtor. Vamos adicionar mais um personagem, o marceneiro, para criar uma pequena comunidade e poder ver como ela transaciona o dinheiro e como cresce. Digamos que cada um desses personagens tenha 10 reais na conta, certo? O total de dinheiro da comunidade, portanto, é de 3 x R$ 10 = 30 pilas.

No primeiro dia, o pescador bate na porta do produtor e pede pra comprar 1kg de arroz. Por meros R$ 5,00 a transação é concluída. A partir disso, o pescador fica com um saldo de 5 pilas, enquanto o produtor está com um saldo de 15. O marceneiro segue com 10, e toda economia com 30. Detalhe importante: para ficarem todos seguros, os nosso persongens, precavidos, mantém seu dinheirin no banco. Segundo dia, o marceneiro (que está com saldo de R$10) bate na porta do pescador e compra 1kg de peixe ao valor de 10 reais. Com a transação concluída, o marceneiro vai a R$ 0, o pescador a R$ 15 e o produtor outros R$ 15. Total da economia segue em R$ 30. No terceiro dia, os papéis do primeiro dia se invertem: o produtor que bate na porta do pescador pra comprar peixe. Mas o pescador não tem mais, pois tinha vendido tudo para o marceneiro no dia anterior. O produtor vai pra casa #chateado e o pescador fica pensando o que ele poderia fazer pra não perder outras vendas. Decide que a solução está em aumentar sua produção! Ao acordar, vai até o marceneiro e diz que precisa de uma canoa maior, com suporte para diversas varas de pescar. O marceneiro passa um orçamento de R$ 25 reais pelo serviço, mas o pescador tem apenas R$ 15 na conta do banco. Ou seja:::: estão faltando R$10 para a transação ser possível. Aí, adivinha só do que o pescador precisa? The one and only CRÉDITO! No dia seguinte, então, nosso personagem resolve fazer uma visita no banco pra pedir um empréstimo. O banco concorda em conceder o crédito dos 10 reais pelo período de 01 ano a uma taxa de 20% de juros (que totaliza em R$ 2)

Agora pause para falarmos da atriz coadjuvante dessa aula: ela, a taxa de juros! Sendo uma das engrenagens mais importantes em uma economia, a taxa de juros determina o comportamento das pessoas perante à possibilidade de adquirir empréstimo. Se a taxa de juros tá muito alta, as pessoas não vão pedir empréstimos (pois o dinheiro “está caro”) e os novos negócios não serão criados. Se a taxa de juros está baixa, o dinheiro “está mais barato” e, por isso, existirá maior demanda por empréstimos e a economia deve crescer. Bom, de volta aos nossos amigos. Empréstimo negociado, tudo mil grau. Pescador sai do banco com 10 reais no bolso, prometendo devolver esses 10 reais + 2 reais de juros ( R$12 no total) no final do ano. Dando F5 na economia que criamos, temos o pescador com R$ 25, o produtor com R$ 15 e o marceneiro zerado. Perceberam que, agora, a soma da economia total é R$ 25 + R$ 15 = R$ 40? Mas se no início cada um tinha recebido 10 reais, deixando o total da nossa economia em 30 reais de dinheiro existente, como pode agora ser 40? De onde vieram esses 10 extra? Bruxaria? Pacto com o demo? Não. É crédito, bb! A mágica está no banco atuando como ponto de encontro entre quem quer guardar e quem quer pegar dinheiro emprestado. Ele funciona como um agente de distribuição, recebendo depósitos de um lado, e emprestando dinheiro do outro. Ah, mas e se toodas pessoas resolverem correr pra sacar todo dinheiro de suas contas AGORA? Bom, aí a cacaca é grande. Basicamente, o sistema buga e não é legal pra ninguém. Isso já ocorreu algumas vezes, como na Argentina em 2001 e na Grécia, mais recentemente. Esse dinheiro emprestado pode ajudar demaaais a economia a crescer, financiando diversos negócios – como no exemplo do pescador. Claro que você também pode pegar essa grana emprestada pra comprar a tal TV de led de não-sei-quantas-mil polegadas. O consumo dela até pode gerar empregos, seja do fornecedor da matéria prima, da fábrica ou da loja que vendeu. Mas não se esqueça: crédito vira sempre uma dívida.
Tudo bem que, no exemplo do pescador, era uma dívida pra ele produzir mais. Já no caso da TV, é só uma dívida pra ver TV. Então, não se emocione demais em sair pegando crédito pra comprar televisões só porque eu disse que isso pode estimular a economia ok? A não ser que você vá cobrar ingressos de outras pessoas para assistirem filmes nela. Aí tá valendo.

Acabei de receber a notificação que a canoa do pescador ficou pronta, então vamos voltar à nossa história. Agora, com a nova canoa, o personagem consegue pescar 10x mais peixes do que antes! Produção aumentada com sucesso e duas coisas incríveis aconteceram a partir disso! A primeira é que ele consegue absorver a demanda de todos seus vizinhos. A segunda é que a capacidade de produzir mais (com o mesmo esforço) permitiu ao pescador acessar a cidade vizinha. E adivinha? Ela estava cheia de pessoas ansiosas para comprar peixes. Mais transações foram sendo realizadas, a economia cresceu e logo surgiu um restaurante de peixes, uma lojinha de especiarias e uma banquinha com brinquedos de madeira. Em seguida, surgiram novos produtores, artesãos, marceneiros, professores, médicos e artistas. É um exemplo bem simplista, mas basicamente é assim mesmo que funciona a economia. Pessoas produzindo e transacionando bens e serviços. Bancos recebendo depósitos e oferecendo crédito. Trocas, trocas, trocas. E claro, faltou mencionar o governo e os bancos centrais! Ambos estão juntos dessa engrenagem, seja recolhendo impostos pra investir em segurança, educação ou saúde, ou tentando pilotar a economia a partir do controle do dinheiro disponível. O melhor de tudo (deixamos pro final, óbvio) é que tudo isso está conectado com o mundo dos investimentos! Dar um empréstimo, ou seja, um crédito para uma empresa, é um produto de renda fixa. Assim como ao comprar ações de uma empresa, você estará se tornando sócio dela e dando dinheiro para ela crescer. Todo esse mundo pode parecer muito complicado quando visto de longe, eu sei. Mas, se você olhar direitinho como c a d a peça encaixa na outra, fica mais fácil de ver como a economia, os investimentos e o nosso papel em tudo isso se relacionam.
Na próxima aula, vamos te ensinar a encaixar ainda mais as peças da SUA vida financeira, para que você não tenha mais que fazer malabarismo com dinheiro. Ser equilibrista é muito melhor que ser malabarista, acredite. Vem junto!

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