—  Organizando Finanças Pessoais
Compro um apartamento ou invisto?

O sonho da casa própria é top 3 na lista de desejos de muita gente. Mas será que ter a casa própria é realmente um sonho a ser alcançado? Se o seu objetivo de ano novo é sair caçando um apartamento para chamar de seu, é bom fazer alguns cálculos antes.

Primeiro, vamos tirar uma pedra do caminho: se o seu sonho de vida é ter uma casa, um cantinho pra chamar de seu, um lugar para criar raízes, ser conhecido por cada uma das pessoas do bairro e poder olhar para as paredes e ver as marcas do crescimentos dos seus filhos e netos, então sim, por favor, compre uma casa. Realmente, não há nenhum argumento no mundo que fará você mudar de ideia, então não tem porquê não realizar esse sonho. Crie seu objetivo e comece a investir agora para pagar seu lugarzinho no mundo.

Agora, vamos aos argumentos que vão explicar por que comprar um apartamento pode não ser uma boa ideia.

“Investimento” em passivo não é investimento.

Quando você investe em algo como renda fixa ou ações, você está investindo em ativos. São investimentos que farão seu dinheiro trabalhar por você, e não vice-versa. Já, quando você coloca seu dinheiro em um carro ou, nesse caso, em uma casa/apartamento, você está investindo em um passivo. Algo que vai sugar seu dinheiro - não por gastos com ele necessariamente, mas sim por simplesmente estar com seu dinheiro “empatado” por causa dele.
Portanto, a não ser que você reforme esse lugar para fazer dele um dos mais cobiçados e descolados AirBnb ou em uma pousadinha para alugar, sua casa não fará dinheiro pra você.

“Mas eu tenho grana para comprar a vista!”

Em uma compra a vista, você precisa observar o custo de oportunidade. Digamos que o imóvel que você quer comprar (ou que você já tem) está R$ 500 mil, mas o aluguel do mesmo imóvel custa R$ 1.500. Isso significa que o aluguel custa 0.3% do valor do imóvel ((1.500/500.000)X100).

Compare esse 0.3% ao mês com o retorno de alguns investimentos. Por exemplo, a poupança, que é um dos piores, está pagando ao redor de 0.45%. Isso significa que deixar os R$ 500 mil na poupança renderia R$ 2.250,00 e com isso você pagaria o aluguel de R$ 1.500 e ainda sobrariam R$ 750,00.

“Mas pagar a parcela é melhor do que jogar o dinheiro fora pagando aluguel. Né?”

Não é bem assim. Quando você compra um imóvel através de um financiamento, tudo se resume à taxa de juros que você vai pagar - que atualmente gira ao redor de 9% ao ano. Com essa taxa, uma grande fatia da parcela do financiamento é juros, e comparando essa fatia com o que você pagaria de aluguel, vale mais a pena alugar e investir a grana que iria ser gasta em juros. No fim das contas, no mesmo período de tempo, você acumularia um patrimônio maior em investimentos.

Imóvel valoriza? Não, porque nem sempre.

No último ano, por exemplo, não. Muito pelo contrário, os preços dos imóveis caíram. E mesmo se olhar isso no longuíssimo prazo (falamos em décadas) a valorização do preço dos imóveis em média só tem acompanhado a inflação - com alguns anos de vitória, mas a grande maioria de derrotas.

E a liquidez, então? Nem se fala.

Digamos que você decidiu se mudar, achou um apartamento mais bacana em um bairro melhor, seu vizinho é barulhento e faz festas todos os dias da semana (essa pessoa não trabalha de manhã??) ou então você decidiu que seu destino é mesmo morar na Finlândia e vai deixar sua vida por aqui pra trás. E aí, o que você faz com o seu tão querido imóvel? Vende. Mas vender não é tão simples quanto parece, e quanto mais rápido você quiser vender, mais você vai ter que pagar comissões gordinhas para os intermediários que fizerem esse trabalho por você.

Agora, se depois de todos esses argumentos você ainda está fixo na ideia de ter uma casinha pra chamar de sua e poder se dizer dono&proprietário de uma grande quantidade de tijolos bem organizados da forma que você quiser, vá fundo! Nada o impede de seguir seus sonhos e inclusive estaremos aqui para ajudar você a alcançá-los.

Já se esse texto convenceu você a continuar vivendo de aluguel para investir em coisas maiores, vá fundo também! Invista em liberdade, viagens, cursos, aposentadoria que você não se arrependerá nem por um segundo por não poder dar nome a um tijolo. ;)