—  Organizando Finanças Pessoais
A curiosa história do dinheiro

Imagine que você era um pescador há 5 mil anos. Você era habilidoso, o que resultava em pescarias sempre produtivas. Mas você, eventualmente, cansava de almoçar somente peixe.

Para variar o cardápio, você juntava uns peixes extras, botava na mochila (ok, era alguma coisa parecida com isso!) e trocava por carne vermelha. Se quisesse arroz para acompanhar, fazia outra troca. Quem sabe uma salada? Mais peixes na mochila para outra troca. Enfim, o trabalho estava em carregar os peixes de um lado para o outro e determinar um valor de troca entre os produtos.

Óbvio que não era fácil e simples assim. As mercadorias utilizadas para escambo (o nome dado para troca de mercadorias ou serviços sem fazer uso de moeda), variavam muito, sendo difícil  haver uma medida comum de valor entre os elementos a serem permutados.

Cada civilização arrumou uma forma de dar valor às mercadorias. E assim funcionava “o mercado” daquela época.

Ah, também se media a riqueza pelas mercadorias. Conta a história que Jó, por exemplo, “…possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas. Sendo ele o maior de todos do Oriente.”

Ou seja, se existisse uma lista da Forbes de mais ricos do mundo, Jó estaria no topo!

Mas e os impostos? Também existiam. O pagamento dependia da mercadoria transacionada, mas vamos pensar que uma mochilinha de peixes pagava alguns impostos da época!

E aí um gênio…

Eis que algum gênio pensou em converter as transações usando um mesmo produto. Foram escolhidos o boi, pois era fácil de levar de um lado para o outro, e o sal, que era muito utilizado para conservar alimentos. Os resquícios desta escolha existem até hoje. Por exemplo, capital vem do latim capita (cabeça), referente ao gado, e salário vem do sal.

Porém, o principal problema dessas mercadorias era o fato de serem perecíveis. Então era preciso pensar em outra coisa, e aí alguém pensou no metal. Maleável, bonitão, raro e fácil de transportar, perfeito, não!?

De início, era usado no seu estado natural, depois em barras ou outros objetos. Mais tarde, começou a ser usado já com o peso definido impresso, no formato de moedas e com a marca de quem emitiu, facilitando ainda mais as transações. Isso tudo por volta do século 6 antes de Cristo.

As moedas eram cunhadas, principalmente, em ouro e prata. Os motivos para isso: primeiro, ouro e prata eram metais raros e imunes a corrosão, segundo, o povo acreditava em uma estreita ligação entre o ouro e o Sol e a prata e a Lua.

Uma simplificadinha antes que fique longo… :/

Bom, dando uma simplificada geral pra chegar aonde a gente quer, quem tinha ouro começou a deixá-lo guardado com ourives. Os ourives, em troca, emitiam recibos desse ouro. Recibos? Sim, você leu recibos! Não demorou para que os recibos fossem utilizados como troca também. Ora, porque eu precisaria carregar um monte de moedas de ouro se poderia comprar coisas entregando apenas um recibo de papel?

Assim, começavam a ganhar vida as moedas de papel como as vemos hoje e o ouro usado como lastro.

Correndo um pouco com a história, surgiram os Bancos e a humanidade seguiu simplificando as coisas. Vieram os talões de cheque, os cartões de crédito/débito, os TEDs e DOCs, o PayPal, o ApplePay, GooglePay, Messenger do Facebook e o Snapcash do Snapchat.

Trocamos peixes por cliques…

Agora (só para situar, estamos no século 21, 2016! :)), é possível transferir dinheiro com dois ou três cliques do seu celular. Um belo progresso para quem estava lá início carregando peixes de um lado para outro.

fale com warren

(Photo By Joseph Rosales)