—  Bê-a-bá dos Investimentos
“Desculpa minha pergunta, mas sou leigo em investimentos...”

É assim que começa a grande maioria das perguntas quando interagimos com clientes. Muitos acreditam que precisam de um super conhecimento para começar a discutir dinheiro. A verdade é: se você é leigo, não se preocupe, pois a torcida do Flamengo e todas as pessoas com as vogais “a” e “o” no nome também são!

Alguns pontos importantes para entender antes de começar a investir (poupança não conta 🙂 )

É uma boa Era para começar

Se alguém perguntasse para um “especialista” (Mark Twain dizia que especialista é só um cara dando conselho longe de casa, por isso as aspas) 10 anos atrás “como faço para começar a investir?” ele provavelmente responderia: “quanto tempo você tem?”. Claro, para o investidor avançado, as coisas só ficaram ainda mais complexas, com mais produtos. A boa notícia é que, no outro extremo, para o investidor iniciante, apareceram alternativas muitas boas e muito simples.

A parte ruim é que, ao contrário de 10 anos atrás, não vai ajudar muito consultar seus pais ou tios para saber em que investir. A decisão de investir vai ter que ser muito mais independente do que quando se investia só na poupança e isso era bom. Para formar uma opinião sobre esta ou aquela solução, funciona bastante bem usar redes sociais, avaliações públicas e consultar amigos que estejam mais antenados.

Confie desconfiando

Tem um lado escuro do mercado financeiro: as pessoas que recomendam investimentos profissionalmente não o fazem de graça. E isso gera o que chamamos de conflito de interesse: ele está recomendando isso por que é bom para mim ou por que é bom para ele? Warren Buffet tem uma ótima frase: “Nunca pergunte ao seu cabeleireiro se você precisa de um corte de cabelo”.

Por isso é importante sempre procurar transparência, tanto na comunicação quanto nas taxas. Se começar a aparecer muito “veja bem”, desconfie.

Se for para começar amanhã, o que eu deveria olhar para não errar?

O ponto mais importante é seriedade da instituição e se é regulamentada pelos maiores órgãos de fiscalização como Anbima e CVM. Não são raros os “amigos” (também entre aspas) que aparecem com negócios milagrosos para duplicar, triplicar seu patrimônio em um aninho ou dois. Quem tem muito dinheiro pode se dar ao luxo de perder uma pequena parcela em negócios extremamente arriscados e de retorno duvidoso. Quem está começando, não. E nesta lista dos negócios do “amigo” também entram os produtos de nome cabeludo como Opções, Derivativos, Debêntures, etc.

Liquidez é o segundo ponto a se atentar. Sabe liquidação na loja? Quando o lojista quer se ver livre de todos produtos na prateleira? Vem daí. Liquidar também significa vender e liquidez se refere a quão fácil é de vender aquilo que você comprou. Um carro da JAC Motors tem muito menos liquidez que um Uno Mile ou um Gol do mesmo ano. O mesmo vale para investimentos: você sempre deve se perguntar: se eu colocar meu dinheiro aqui, em quanto tempo posso tirar sem perder muito? CDB’s, por exemplo, são produtos muito bons e seguros, mas geralmente requerem que o dinheiro fique bloqueado por meses ou anos. Fundos de investimento costumam ter melhor liquidez e é possível sacar o dinheiro em poucos dias no caso de uma emergência.

Teste o suporte antes de investir

Principalmente para quem está começando é importante investir com uma empresa que consiga te dar um suporte preciso e com rapidez. Se não te ajudam antes de virar cliente, não deve melhorar quando for cliente. Teste enviar uma mensagem para esclarecer suas dúvidas via chat ou Facebook para ver como reagem.

Aqui não deve existir pergunta ruim! Se de alguma forma se sentir como se você devesse saber algo, pule fora. Um bom suporte tem que estar preparado para responder qualquer tipo de pergunta, com a mesma agilidade, precisão e o mesmo carinho. Sim, porque quem está começando a investir precisa de ainda mais carinho. 🙂

Tenha um objetivo e invista nele

Ter um objetivo para poupar ajuda muito na disciplina ao lidar com o dinheiro. Desenhe um objetivo e desenhe o caminho para chegar lá. Assim, o que parece uma montanha intransponível, se quebra em vários dias de caminhada. Aqui neste post resumimos como criar um objetivo de investimento.

Quando você para de buscar um número abstrato e passa a investir em um sonho, isso muda completamente o jogo. Para ficar claro: sabia que se você economizar no cafezinho depois do almoço você terá R$ 2000 depois de um ano? Legal, não? Agora compara esta frase com: sabia que se você economizar com o cafezinho você ganharia uma passagem de ida e volta para os EUA. A segunda versão é muito mais poderosa. Quando bate aquela vontade de pedir o cafezinho, você se imagina passeando pela rua em Nova York!

Molhe o pezinho antes

A decisão de investir costuma vir assim, como um avalanche: “Estou 5 anos atrasados! Como não cuidei disso antes? Como não comecei a guardar dinheiro aos 18 anos, olha quanto podia ter hoje, sou um incompetente”. Muita calma nessa hora, não se maltrate! 🙂

O mais difícil é o primeiro passo e é importante ajustar bem as expectativas. Não se começa a entrar em forma querendo correr uma ultra-maratona. Começa-se com uma caminhada, depois uma corrida leve e lá pra frente, por que não, uma ultra-maratona?

Com investimento não é diferente. Após feita a primeira triagem de onde investir, comece com uma quantia pequena, com foco no aprendizado. Só o fato de fazer este movimento já vai te ajudar a olhar para o dinheiro de outra forma, com mais consciência.

Tem R$10.000,00 para investir? Pegue R$100 ou R$1000 e invista por um mês – importante não sacar antes de 30 dias, senão o rendimento vai pelo ralo, comido pelo IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Gostou da experiência? No segundo mês coloque mais um pouco. É preciso ter consistência.

Usabilidade é chave

Mais e mais nos enchemos de novas coisas e cada vez temos menos tempo para cuidar de nosso dinheiro. Por isso ter uma boa usabilidade na plataforma onde se vai investir é essencial. A economia não é só de tempo, mas de cabelos brancos, e de stress. Seu investimento não pode ser mais uma operadora de telefonia ou de TV a cabo em que você tem que repetir 15 vezes seu CPF, esperar 30 minutos no telefone, ser transferido 11 vezes, para no fim alguém atender com gerúndio a cada duas frases: “Senhor, vou estar verificando para ver se o sistema vai estar deixando eu te ajudar”. Gerúndio, sistema, te ajudar. Está tudo errado, e tudo para resolver algo que você poderia fazer com alguns cliques em um site ou aplicativo com boa usabilidade.

Temos feito encontros periódicos presenciais com pessoas que estão começando e querendo organizar melhor suas vidas financeiras. Todos deveríamos olhar para isso. Todos deveríamos começar. E não se engane: não é preciso se tornar um especialista. O que precisa é se iniciar com alguns passos bem calculados.

Enfim, pra onde ir?

São muitas plataformas, muitos produtos. Escrevemos um post específico sobre isso, falando um pouco mais sobre onde é possível investir com R$ 5000. Mais importante que qual produto comprar (CDB, LCI, Fundo) é escolher quem será seu parceiro na longa caminhada de construção de uma vida financeira mais saudável.

Se tiver curiosidade de continuar o papo, não deixe de dar uma olhada no Warren.

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Bônus track

Para ajudar, preparamos um breve (brevíssimo) glossário com os termos que mais geram dúvidas!

CDB – Crédito de depósito bancário: O banco empresta dinheiro para pessoas físicas e em troca paga juros. É seguro, protegido pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito – protege até R$250mil), mas vale cuidar pois o dinheiro geralmente fica bloqueado por um tempo, às vezes anos. O rendimento geralmente referenciado pelo CDI.

CDI – Crédito de depósito interbancário: é uma taxa de referência de juros no mercado, como no caso do CDB acima. Se quer saber se o dinheiro que você investiu em renda fixa foi bem ou mal, vale comparar com o CDI.

Poupança – Lugar onde não se deve deixar o dinheiro. 🙂 Só rende mais que deixar no colchão ou na conta corrente. Brincadeiras à parte, já existem alternativas muito melhores à poupança, com segurança muito semelhantes.

Tesouro direto O governo também pega dinheiro emprestado para fazer as obras que precisa. Quando você compra um título do tesouro, está emprestando dinheiro para o governo e, em troca, ele te paga juros. São muito seguros, porém dependendo do tipo, podem ter certa volatilidade, caso queira sair antes do prazo (geralmente de 5 anos ou mais).

Volatilidade – Quanto a rentabilidade de um produto financeiro varia no tempo. Muito volátil, varia muito, pouco volátil é constante.

Fundo de investimento – Em vez de comprar isso ou aquilo (este CDB, aquela ação) diretamente, você pode optar por investir em um Fundo e ele compra os produtos para você.

Taxa de administração – Taxa que um fundo de investimento cobra para investir seu dinheiro. Altas taxas de administração podem ter uma influência bastante negativa no longo prazo e comer parte importante dos rendimentos.

Taxa de performance – Alguns fundos cobram esta taxa, caso a rentabilidade passe um determinado valor de referência. Por exemplo: fundos de ações geralmente cobram uma taxa de performance quando o rendimento no mês superar o índice Bovespa.

Índice Bovespa – Conjuntos das maiores empresas do Brasil que juntas formam o índice. É usado como referência da bolsa. Quando se diz que a bolsa subiu, é que, no todo, as ações dessas empresas subiram.

Ações – Participação de uma empresa que são negociadas na bolsa e que se pode comprar e vender livremente.

ETF  É a sigla em inglês para Exchange Traded Funds, que são fundos de índices comercializados como ações. Esses fundos tendem a replicar índices, como o Ibovespa Fundo de Índice (BOVA11), por exemplo.

Portfólio – Conjunto de produtos que estão dentro de um fundo. É o mesmo que carteira. Dentro do portfolio do Warren, há Tesouro e ETF’s, por exemplo.

Investir por objetivos – Uma forma de investir em que você coloca seu dinheiro num objetivo de vida e acompanha o progresso do objetivo, com balanceamento automático.

**Balanceamento de carteira **– Decisão de qual percentual do dinheiro investido vai ser investido em qual produto.

IOF – Imposto sobre operação financeira. Nos fundos ele incide sobre o rendimento, nos primeiros 30 dias da aplicação. Começa alto e baixa gradativamente até chegar a zero no trigésimo dia. Importante, ele só incide sobre o valor do rendimento, não sobre o valor principal. Ele foi criado para evitar a especulação financeira.