—  Bê-a-bá dos Investimentos
Investir no futuro ou aproveitar o presente? Eis a questão

Um dilema e tanto, né?

Há quem curta tudo o que a vida nos oferece sem medir muito esforço, faz o que tem vontade, quando se tem vontade, bem ao estilo Ferris Bueller. Por outro lado, há os que são mais cautelosos em relação ao presente para pensar adiante e garantir algo no futuro. São duas formas paralelas de encarar diversos aspectos e momentos, inclusive quando o assunto é finanças.

Em qual destes dois perfis você se encaixa?

A ideia de quem faz parte do primeiro grupo é basicamente não deixar pra amanhã o que pode ser feito hoje. Algo como “pra que que eu não vou aproveitar essa promoção pra um monte de coisas que eu gosto? Cara, nem sei se eu vou estar aqui amanhã!”.

Essa sensação de liberdade é bastante é prazerosa porque traz realização rápida sem arrependimento (pelo menos a curto prazo). Mas em compensação, é um perfil mais exposto a ter a sua rotina financeira descambada por “imprevistos” que surgem e fazem a pessoa gastar além do que ela podia.

Já quem faz parte do outro grupo é do tipo que prefere economizar o que pode, faz sacrifícios quase que diários para garantir algo mais adiante. Tem tudo na ponta do lápis, não mexe uma vírgula do que tem planejado. “Ah, não tem como comprar isso aqui agora. Vamos pensar 398 vezes pra ver se a gente realmente precisa disso”.

Neste caso, a coisa é tão controlada, que a pessoa fica com fama de pão dura. Aqui, a maior recompensa vem a longo prazo: a economia no dia a dia rende frutos em uma aposentadoria antecipada, na compra do imóvel próprio e por aí vai. Porém, vamos falar sério aqui: tem coisas que a gente não pode deixar de vivenciar hoje apenas com a justificativa de que talvez falte lá na frente, não é?

Lembre-se: “a virtude está no meio”
Essa afirmação bonita aí de cima, que muitos creditam a Confúcio, é a melhor forma de sintetizar a questão. Que fique claro que não estamos apontando o que é certo ou errado. Mas é preciso falar que os dois perfis que citamos acima se tratam de extremos. E que, como quase tudo neste mundo, existe um belo meio termo que pode ser aplicado.

Aproveitar a vida e investir no futuro não são excludentes entre si, são fatores que se complementam. Não é preciso optar por um ou pelo o outro. A ideia é: fique com os dois e tenha assim uma vida feliz, realizada (o que importa mais para os imediatistas), tranquila e protegida para qualquer eventualidade (o que importa mais para os futuristas). Desta forma, não há arrependimentos por ter deixado boas oportunidades escaparem ou de não ter se preparado o suficiente. Anote isso: a liberdade financeira está na possibilidade de viver com qualidade e com independência.

Ok, mas como fazer isso?
Organização e disciplina. É isso. A chave está nestas duas palavras.
Uma rotina disciplinada leva a uma vida organizada financeiramente. Não veja essas duas questões como algo restritivo, mas sim como uma questão de mudança de hábito (aliás, tem um post ótimo sobre isso aqui). Que ok, pode ser um tanto difícil no início, mas com o tempo tudo fluirá do modo automático sem precisar de força.

Já ouviu falar na fórmula 50-15-35?
Na 70-15-15? Na 80-10-10?

Elas foram criadas por especialistas e ajudam as pessoas a dividirem a renda mensal em três proporções: gastos essenciais, prioridades financeiras e estilo de vida.

Gastos essenciais são aqueles que comprometem a maior parte do orçamento, como a parcela do financiamento, o colégio dos filhos, luz, água e etc.

Prioridades financeiras são os objetivos para o futuro, os investimentos que devem ser feitos para garantir uma aposentadoria tranquila, uma renda mensal, ou uma reserva de emergência para casos inesperados.

Estilo de vida é a parte boa. Se divertir, viajar, comprar coisas, fazer programações diferentes.

Existe uma fórmula melhor que a outra? Não. Cada brasileiro tem uma realidade que pode ser adequada a uma proporção. No novo curso do Papo de Grana, por exemplo, a gente fala muito sobre isso e como de adaptar a essas fórmulas.

Quem curte aproveitar o agora por pensar que o amanhã é incerto, pode dar de cara com uma vida bem longínqua e descobrir que, se tivesse se preparado, não dependeria de INSS.
Se essa pessoa tivesse investido R$ 350 por mês durante 30 anos a um retorno anual de 12% (investindo em um mix de renda fixa e ações) poderia ter algo mais de R$ 1 milhão. Ou seja, vale a pena o esforço.

Então sim, você vai se “autoagradecer” por ter investido em uma reserva de emergência ou em um objetivo quando chegar a hora de colher os louros. E mais, o Warren traz tanta facilidade e segurança neste ponto, que não tem como não começar a pensar na ideia com carinho, não é?

Já para quem está no outro extremo hoje, dica 1: não basta poupar, você precisa investir com perspicácia e fazer o dinheiro trabalhar pra você (e para isso nós estamos aqui também, prontos para essa jornada). E dica 2: aproveite um pouquinho as oportunidades boas vida. Elas, muitas vezes, são o começo de grandes histórias.

:)

Photo by Ben O'Sullivan / Unsplash