—  Bê-a-bá dos Investimentos
O que é guerra comercial e o que ela impacta seus investimentos

Você certamente já foi impactado por alguma notícia que falasse que a China e os Estados Unidos estão travando uma batalha das grandes. Nada de armas, invasões de território e estratégias bélicas. O confronto entre as duas maiores economias do mundo é comercial.

Mas o que, exatamente, é uma guerra comercial?

Primeiro, vamos entender um pouco do conceito. Uma guerra comercial começa quando um país tenta “comprometer” a economia de outro para obter vantagens. A famosa puxada de tapete, que pode acontecer por meio de mudanças em acordos comerciais estabelecidos anteriormente perante a Organização Mundial do Comércio.

Não que a OMC não permita que alterações sejam feitas. Sempre que um país “solicita” a revisão de um termo do acordo, a entidade ouve os dois lados, intermedia um acordo e todo mundo sai feliz (ou quase). Tudo para evitar o aumento abusivo de taxas alfandegárias e garantir uma economia globalizada pacífica.

Por isso, quando uma guerra comercial é instaurada, geralmente esse conceito de globalização econômica é bastante afetada. Passa a ser cada um olhando para o seu umbigo.

E como a guerra comercial entre China e EUA começou?

Lembra do ditado que diz que “o combinado não sai caro”? Pois então, Donald Trump parece não concordar muito com isso.

Para estimular a produção interna e aumentar os índices de emprego no país, o presidente norte-americano colocou em prática a política do American First, tão prometida na época de campanha. Entre as medidas protecionistas, sobretaxou a importação de aço e alumínio de vários países, entre eles, a China, e anunciou tarifas de mais de US$ 50 bilhões sobre uma lista de mil produtos chineses. Tudo isso por conta própria, sem passar intermediação da OMC.

O que ocorreu após foi o óbvio.

Os chineses encararam a medida de Trump como uma violação ao acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994 e o acordo sobre Salvaguardas da organização multilateral. Por isso, o governo chinês aplicou tarifas de 25% sobre cerca de cem produtos produtos norte-americanos.

Trump revidou propondo sobretaxar mais US$ 100 bilhões em produtos chineses. E assim começou uma sucessão de ameaças entre as duas potências, com uma retaliação em cima da outra.

Em um resumão, como consequência disso, o que temos hoje são países temerosos com o impacto dessa guerra nos preços e nos bolsos de quem terá que pagar mais caro pelos produtos sobretaxados.

Como o Brasil pode ser impactado?

O Brasil pode ser afetado tanto direta quanto indiretamente. De acordo com o professor do departamento de Economia da UFRGS, Carlos Schonerwald, no caso da sobretaxa do aço, a produção do material no país foi tributada em um primeiro momento, mas os governos brasileiro e norte-americano conseguiram entrar em um acordo para evitar prejuízo.

— Além disso, a guerra comercial entre americanos e chineses afeta indiretamente o Brasil por conta da desaceleração do comércio entre esses dois países, que são nossos principais parceiros comerciais — afirma Schonerwald.

Há riscos que essa guerra se torne global?

Muitos países, principalmente os da União Europeia, estão demandando medidas junto à Organização Mundial do Comércio para frear a elevação do impostos de importação dos Estados Unidos. As tratativas para que a guerra comercial não se torne global têm, atualmente, tomado boa parte do tempo e da atenção da OMC.

— Se nenhuma medida for adotada, a tendência é que a resposta venha através da elevação dos impostos de importação sobre os produtos americanos — diz o professor da UFRGS.

A “levantada” de muro dos países poderia gerar uma ruptura tanto econômica quanto geopolítica, resultando na diminuição no ritmo de crescimento das economias a longo prazo. Por isso, a tendência é que os países, junto com a OMC, encontrem soluções não drásticas e entrem em acordo para evitar danos.

Afinal, o que essa guerra entre China e EUA impacta os seus investimentos?

China e Estados Unidos, têm, juntos, mais de 40% do PIB mundial. Por isso, é normal que uma guerra comercial entre os dois países assuste principalmente o investidor em renda variável. Schonerwald afirma que é preciso estar atento, mas sem grandes receios.

— As empresas americanas listadas em bolsa são, hoje, empresas multinacionais. É difícil até de rastrear o efeito por conta das suas plantas localizadas em vários países. Como é o caso da Apple, por exemplo, que possui plantas na China.

E o que eu faço? Resgato meu investimento em ações?

Os movimentos de Trump e de Xi Jinping podem gerar certa volatilidade nas bolsas porque aumenta a desconfiança dos investidores em relação ao mercado. Porém, dificilmente eles afetarão os objetivos de quem investe a longo prazo.

— Nos portfólios de ações da Warren, as posições são diversificadas entre as 500 principais empresas americanas e brasileiras. Com os americanos no meio do conflito, é preciso que o investidor mantenha a sua estratégia de longo prazo e lembre que ele está posicionado em grandes empresas que não são somente americanas (por terem a sua sede nos EUA), mas que são multinacionais líderes nos seus segmentos de atuação — diz Alex Frighetto, economista e Product Owner da Warren.

Por isso, se você investe em ações, não saia resgatando seus investimentos com medo de perder o dinheiro que você tem investido. Períodos de instabilidade são normais, já aconteceram, acontecem e ocorrerão no futuro, mas nada que o longo prazo não corrija.

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