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O que fazer com o dinheiro da restituição do Imposto de Renda

A Receita Federal deve devolver R$ 5 bilhões para mais de 3 milhões de brasileiros em 2018 em forma de restituição de imposto de renda. As devoluções, que começaram em junho, devem se estender até dezembro. Para saber se chegou a sua vez de receber, acesse o site da instituição clicando aqui.

Não se trata de um presente

Muitos encaram a restituição como algo ganho, quase como ela tivesse caído do céu. Por isso, é comum que as pessoas gastem esse dinheiro sem planejamento. É o típico “ganhei, gastei”.

— É uma questão cultural. O brasileiro é muito imediatista e as pessoas são incentivadas a pensar no hoje em vez do consumo futuro. Se um amigo tem uma coisa, a pessoa também a quer. Isso acaba se tornando uma dinâmica consumista — explica o economista e gerente de relacionamento da Warren, Felipe Beys.

O fato é que a restituição é, em resumo, um dinheiro que já te pertenceu, saiu da sua carteira em forma de imposto e voltou para o seu bolso porque o governo viu que você pagou mais que deveria. Ou seja, é fruto do seu trabalho, esforço e suor, e você precisa encará-la dessa forma.

O que fazer com o dinheiro da restituição?

É difícil conter a empolgação quando a restituição cai na conta bancária. Dá vontade sim de comprar o smartphone novo ou de correr para o shopping mais próximo, mas é preciso ter precaução nas compras por impulso. Para saber o melhor uso para a restituição, você deve responder à seguinte pergunta: você tem uma dívida que está tirando o seu sono?

Não se trata do financiamento do seu apartamento ou qualquer outro gasto fixo que você tenha sob controle na sua rotina financeira. Mas sim, daquela dívida que você negligenciou por muito tempo e acabou virando uma bola de neve. Sendo ainda mais específico, seria algo como os juros acumulados pelos meses que você pagou o valor mínimo do cartão de crédito, por exemplo.

A resposta para a pergunta é sim? Então vá para a próxima casa.
Não? Então pule a próxima casa.

Você tem uma dívida fora de controle

Bom, caso essa seja a sua situação, então seus esforços devem se concentrar boa parte por aqui. De acordo com Beys, a restituição deve ser usada para sanar ou liquidar toda e qualquer conta que você tenha deixado para trás.

— O valor proveniente deve ser utilizado para o pagamento de dívidas prioritariamente. Se forem muitas, comece com a quitação das mais caras. Em geral, são aquelas com o cartão de crédito e o cheque especial — afirma Beys.

Neste caso, a boa notícia é que as empresas costumam olhar com bons olhos quem deseja quitar um débito. Por isso, muitas instituições costumam facilitar a negociação.

— Se sobrar dinheiro após o pagamento das dívidas e você cogitar cair na tentação do consumo, pense se o bem é realmente necessário - aconselha o economista.

Você não tem dívidas fora do controle

Caso a sua rotina financeira esteja em dia, a dica é usar a restituição para planejar o uso do dinheiro de outras formas.

Nesse caso, você pode até usar uma parte da restituição para fazer um agrado para si mesmo, comprar algo que queira, jantar naquele restaurante mais caro. Mas o ideal é que comprometa o menos possível desse dinheiro. Assim, você pode potencializar outros objetivos importantes que exijam um volume maior de capital.

— A ideia aqui é criar a cultura do poupar, mesmo que seja um valor pequeno. Normalmente as pessoas pensam ‘mas sobrou tão pouco, vou gastar’, mas a disciplina nesse caso é mais importante do que o montante.

O que poderiam ser esses outros objetivos? Aqui vão algumas dicas:

Comece a pensar em uma aposentadoria confortável

Uma boa opção é investir na sua aposentadoria. Como se trata de um objetivo de longo prazo, você pode até não enxergá-lo como um grande benefício hoje. Mas acredite, no futuro você agradecerá.

Vamos supor que você receba, em média, R$ 1.500 de restituição por ano. Se você investir esse valor todos os anos e dar aportes mensais de R$ 250, durante 30 anos, em um fundo com mix de renda fixa e ações, poderá ter, no fim do período, algo em torno de R$ 766 mil.

Crie um fundo para imprevistos

Não é incomum termos imprevistos que, além de demandarem tempo, também exigem dinheiro. E pior: um dinheiro que você não tem ali, disponível para ser usado em algo que não esteja dentro do seu orçamento mensal planejado. Por isso, a reserva de emergência é apontada pelos especialistas como algo fundamental para uma rotina financeira saudável.

Muitos usam a poupança como fundo de emergência, porém, há formas muito mais efetivas - e tão seguras quanto - de destinar esse dinheiro. A poupança está rendendo apenas 70% da Selic, que hoje está em 6,5% ao ano. É um desempenho muito fraco se comparado com outros fundos de renda fixa.

Para uma reserva de emergência, o ideal é juntar de 6 a 12 meses da sua renda mensal em um curto prazo de tempo. Ou seja, se você recebe R$ 3.500 por mês, deve acumular na sua reserva de emergência algo em torno dos R$ 21 mil. Aqui neste post tem mais informações.

Comece ou potencialize outras metas

Para quem ainda não investe, a chegada do dinheiro da restituição é uma ótima oportunidade para começar a investir ou, ainda, potencializar outros objetivos, como a viagem das próximas férias, o próximo curso de especialização e por aí vai. Nem precisa ser um objetivo específico, você pode apenas deixar o seu dinheiro rendendo de forma mais eficiente.

Quer começar a investir na sua aposentadoria, na reserva de emergência ou em qualquer outro objetivo? Conheça a Warren e comece agora!