—  Bê-a-bá dos Investimentos
Precisamos falar sobre a concentração bancária

Artigo escrito pelo Felipe Beys, economista e gerente de relacionamento da Warren

A concentração bancária no Brasil é muito grande. O número de bancos reduziu vertiginosamente nos últimos 20 anos em função de incorporações, fusões e, em alguns casos, até falências de bancos menores. Uma onda de bancos estrangeiros encerraram suas atividades no Brasil por imbróglios regulatórios. E tudo isso gerou um único resultado: menor concorrência.

A teoria econômica nos ensina que, quanto menor o número de competidores, menos os players se motivam para reduzir o preço (custo do dinheiro ou juros, no caso do crédito) para o cliente final. Isso sem falar na qualidade do atendimento, que daria pano para manga o suficiente para um outro post. Ou seja, temos aqui um caso clássico de oligopólio.

Um exemplo muito simples disso é o que ocorre no mercado de crédito. Estamos com a menor taxa de juros da história da república (6,5% ao ano) e os spreads bancários não caem - em alguns casos até aumentaram. Isso não faz muito sentido, certo?

Até entregamos a inglória primeira posição de país com a maior taxa de juros do mundo para ocupar o sexto lugar, e mesmo assim o consumidor final ainda reclama da falta de competitividade do mercado bancário. Como disse o artigo da revista britânica The Economist, os bancos lucram em qualquer cenário, seja na expansão da economia ou em períodos recessivos.

Especificamente na área de investimentos, pelos dados da Morningstar, empresa líder no fornecimento de pesquisa de investimentos independente, no primeiro semestre de 2017, os cinco maiores bancos brasileiros possuíam 74,1% de todo o market share da gestão de recursos de terceiros. No mesmo período de 2018, esse número caiu para 70,4%. Embora o impacto pareça pequeno, esses 4% representam algo como R$ 140 bilhões. Parte dessa captura se deve às corretoras, gestoras independentes, cooperativas e mais recentemente às fintechs.

Se você assistiu algum dos debates entre os presidenciáveis, ou leu algum plano de governo no que tange à parte econômica de alguns candidatos, independente da orientação política, verificou que uma novidade é a necessidade de fomentar o setor de fintechs. A competição, que antes se dava entre grandes, agora parece que ocorre de forma mais descentralizada, entre nichos. Novos entrantes com propostas mais enxutas, transparentes e desburocratizadas estão começando a ganhar espaço. No limite, os bancos estão atentos a essa “ameaça” e vêm tentando parecer mais tecnológico e “moderninho”.

A revolução tecnológica percebida em vários outros setores da economia, está recém começando no setor financeiro e já está mudando a forma tradicional de fazer negócios. Cada vez mais, os clientes percebem a questão do conflito de interesse entre “o que é o bom para o cliente” e “o que é bom para o banco” e estão cansados de aceitar produtos ruins desalinhados com seus objetivos, perfis de risco ou horizontes de investimento.

Mesmo para aqueles clientes mais conservadores que priorizam a segurança, vale ressaltar que as fintechs precisam estar adequadas a todos os órgãos reguladores para operar no mercado financeiro brasileiro e estão sujeitas aos controles dos mesmos órgãos que orientam os grandes bancos sem distinção, como Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e empresas de auditorias externas. Por isso, o cliente acostumado a tomar um café com o gerente não precisa ter receio. Ele não está menos seguro apenas por ter tirado o seu investimento do banco e colocado em uma fintech.

Por que?

Não se trata de uma ruptura com os bancos, mas sim de uma conexão entre os dois setores. Os bancos podem desempenhar um papel importante para o crescimento das fintechs ao custodiar os seus produtos, por exemplo. A diferença é que as fintechs democratizam o investimento, oferecem ótimos produtos para todos os clientes, independente do quanto eles têm para investir. Além disso, oferecem preços mais justos e uma experiência muito mais atrativa e próxima do cliente.

Enfim, temos boas notícias para o futuro e isso vai impactar diretamente no seu bolso.