—  Organizando Finanças Pessoais
Reflexões financeiras de um pai desesperado (despreparado?) - da gravidez ao nascimento

“You’re not supposed to optimize for money, you’re supposed to optimize for happiness” –
Mister Money Mustache

Tranquilo, favorável

Tudo parecia tranquilo, tudo parecia favorável em nossa vida financeira. Eu e minha esposa com suas vidas profissionais bem resolvidas e casa quitada ficávamos divagando sobre “que caminho seria melhor para o meu eu interior”.

Viagens de aventura, esportes todos os dias, jantares intermináveis com os amigos e aquele tempo para investir no interesse do momento. Lembro de quando comecei a aprender francês sozinho, estudando em casa. Eu precisava? Não, simplesmente tinha tempo e era divertido.

Estávamos juntos há muitos anos (eu deveria saber exatamente quanto tempo :/), casados há poucos e sempre falávamos em ter filhos. Mas nunca achamos que ia ser tão rápido.

Um dia falamos: “Agora é sério! Vamos tentar de verdade!” Quem já está junto há muitos anos sabe que, diferentemente dos prbaby on board placaimeiros meses, é preciso tentar de verdade. A ideia era que acontecesse nos próximos 6-12 meses.

14 dias depois…“Estou grávida!!” Foi um misto de alegria com um “Como assim, já?!”, mas ficamos imensamente felizes, sem noção nenhuma de como agir e sem preparo nenhum para aquilo que estava por vir. Se não tínhamos o preparo para ser pais (dizem que ninguém está realmente preparado), imagina o preparo financeiro. Zero! Os custos de preparação para o nascimento foram altos. Os depois do nascimento foram avassaladores!

Doa a quem doar e o risco de Miami

De imediato fizemos algo que recomendo a todos: divulgamos que estávamos aceitando doações de roupa e móveis. Tentamos nos segurar para não entrar na loucura de viajar para fazer enxoval.

Víamos amigos e amigas indo para Miami para fazer compras porque era muito mais barato. Decidimos que não íamos fazer aquilo. Um porque Miami não é nosso tipo de viagem e, dois, porque quando você chega a Miami com a cabeça de fazer compras (só estive uma vez lá) você entra em uma onda de “quanto mais eu gasto, mais eu economizo” e aí ferrou!

“Olha que legal: uma babá eletrônica com raio laser e que toca música da Xuxa de trás pra frente, com 40% de desconto! Que oportunidade!”. E por aí vai. Acreditamos que quando damos amor e estamos presentes, o vestidinho lindo é menos importante para a criança (por mais que hoje minha filha peça o vestido da Frozen diariamente…e isso me mata de raiva).

Os custos

Não nos organizamos muito com listas, mas o que gastamos aproximadamente no início foi:

  1. Berço: R$ 200 (compramos usado)
  2. Cadeira de amamentação: R$ 100 (usado…e nunca usamos)
  3. Roupinhas (metade ganhamos usadas): R$ 1000 – aqui vale o comentário: se nascer no inverno é o dobro; no verão fica só de fralda mesmo 😉
  4. Chá de bebê: R$ 1200 (que se converteram em fraldas)
  5. Banheira: ganhamos usada
  6. Carrinho de bebê (esse foi nosso maior investimento e valeu a pena): R$ 1200
  7. Bebê conforto: ganhamos usado
  8. Trocador: R$ 100 (usado)
  9. Mamadeiras: R$ 200
  10. Preparação do quarto: R$ 700 (só mandamos fazer uma cômoda e eu mesmo fixei umas prateleiras)
  11. Parto: R$ 3000 (queríamos um parto humanizado com um médico em que confiávamos. Isso foi em 2014, hoje deve ser mais!)
  12. Doula: R$ 1000
    Total: R$ 8700

Mesmo tendo ganho/comprado coisas usadas, dá para ver que não é pouco dinheiro! Sem dúvida daria para eliminar alguns custos ainda (o do médico, principalmente, caso tenha algum bom plano de saúde), mas ainda assim é uma grana. Preparar-se para isso é uma boa e nós aprendemos isso na marra!

Foram 9 meses de muita alegria, mas também de ansiedade com o que estava por vir. Até que o belo dia chegou e, depois de muita emoção no parto (40h de trabalho de parto), nasceu nossa primeira filhota, super saudável e forte. A sensação mais forte? Desespero, sem dúvida!

Os imprevistos

Apesar de super saudável, nossa filha (omito intencionalmente o nome por privacidade) veio sem uma “feature”: ela não sabia mamar :/

Simplesmente não pegava o peito. Não queríamos dar mamadeira e fazíamos tudo para que ela aprendesse a mamar no peito. O peito é tudo de bom para a criança: é portátil, não precisa esterilizar a cada mamada, não precisa aquecer, é grátis, é ótimo para o sistema imunológico do bebê, gera uma conexão mãe e filha e, além de tudo, tem dois (um de backup), caso um dê problema!

A ginástica para ensiná-la foi puxada (de 2h em 2h, com bomba de leite, durante 10 dias). Eu tive a sorte de conseguir me liberar do trabalho para ajudar durante a jornada toda. Com isso, tivemos um custo adicional com enfermeira de amamentação (nossa santa salvadora) e com aluguel de bomba de tirar leite (sim, é possível alugar e vale muito a pena). Foram uns R$ 1500 só nestes primeiros dias.

Ao todo, estamos falando de, aproximadamente, R$ 10.000, da gravidez até os primeiros dias de vida. Importante dizer que aqui estamos falando de uma criança 100% saudável.

Agora que, em parte, passou o furacão inicial, penso que nos preocupamos muito com as questões “técnicas” do nascimento (médico, cesárea ou natural, ultrassom, maternidade), mas não nos preparamos financeiramente para aquele avalanche. E o mais difícil é que todo este processo vem acompanhado de uma carga emocional muito grande, tornando ainda mais difícil tomar decisões sensatas.

Aquele tempo de esporte se transformou em turnos noturnos de acalmar choro. O esforço de aprender francês se converteu em um esforço de aprender cantigas de ninar. Aquele dinheiro que sobrava para as viagens se transformou em fraldas cheias de mecônio (se você não sabe o que é mecônio, não vou estragar sua surpresa) e xixi.

O que fazer com isso?

O que eu teria feito diferente que talvez possa ajudar outros marinheiros de primeira viagem:

  1. Começar um planejamento de custos quando decidimos engravidar
  2. “Caixinha bebê”: começar a poupar em uma conta separada ou em um objetivo (o Warren permite criar um objetivo específico, ou dá para separar dinheiro em um envelope separado)
  3. Fazer aportes mensais no “caixinha bebê”
  4. Teria anunciado ainda com mais veemência que queríamos comprar coisas usadas. As pessoas têm vergonha de oferecer, achando que podem insultar os pais.

Eu realmente respeito quem, conscientemente, decide gastar muito dinheiro com o nascimento de seus filhos. No entanto, convido você a se perguntar se aquilo é uma decisão de gasto consciente, ou se está indo com a maré. É muito fácil gastar muito dinheiro com nossos pimpolhos, principalmente porque não tem como negar algo para uma criatura tão fofa. Nestas horas, precisamos lembrar que os nossos bebês precisam é de muito amor e um colo quente. O resto é detalhe.

Este é o primeiro artigo que de uma série que pretendo escrever sobre finanças para pais e mães. Se você acha interessante e gostaria de ver os próximos episódios, acompanhe o nosso blog.

Por Cristiano Wuerzius. Cris é casado, tem duas filhas e um monte de conta para pagar (pouquíssimas para receber). Ajuda com estratégia de crescimento no Warren e escreve bem menos do que deveria no blog :)

(Photo By Janko Ferlic)