Aula 7: Selic, Inflação, Impostos e outras siglas

Aprenda a falar "dinheirês" sem mistérios!

Se ficou com preguiça de assistir o vídeo, não tem problema! Entregamos o conteúdo mastigadinho por escrito também!

Carmen

Carmen

Autora do Papo de Grana

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Ôpa, que bom te ver aqui de novo!
Agora que você já sabe como investir melhor (vulgo última aula internallink.com.br), vamos aprender mais sobre o “idioma do dinheiro”. É, a gente sabe que tem muitos termos que você ouve nos noticiários e lê nos jornais que parecem complicados e difíceis de se entender. Porém, como você já tem visto nas últimas aulas, a maioria das coisas relacionadas a finanças são muito mais simples do que imaginamos. Chegou a hora de você parar de fingir que entende, e passar a entender de verdade!
Bora desmistificar alguns termos importantes da economia.

Vamos começar pelo nosso famigerado Banco Central (BC para íntimos), que é o órgão do Estado que define como mais ou menos a economia vai se comportar ali. O BC tem poder. Inclusive, é o órgão que possui a condição de estipular a taxa que corresponde ao “preço do dinheiro” – vide taxa Selic. Aproveitando o gancho desse outro termo, saiba que a taxa Selic é o juros daquele país; a taxa estipulada pelo governo e pelo BC, que vai definir uma série de outras questões. Logo chegaremos lá.

Há um tempo atrás, a taxa selic a incríveis 12% e 14% aqui no Brasil (cê acrediita? ♫). Imagina só você vivendo num país que tem esse % de juros pra pegar empréstimos. Sabe o que acontece? O dinheiro fica caro, e o acesso ao capital mais difícil! Aí você deve estar se perguntando “por que o Banco Central elevaria a taxa de juros assim?”. Basicamente, essa é uma estratégia que se aplica quando a inflação está muito alta. Ora bolas, se a inflação é o aumento de preço dos produtos pela alta demanda de consumidores querendo comprar (e tendo dinheiro para isso), então para os preços diminuírem é necessário fazer o caminho inverso. Em resumo, dificultar o acesso aos pilas. Aí, os consumidores ficam com menos dinheiro, consomem menos, e quem vende acaba tendo que baixar seus preços. Capiche?

Vamos te dar um exemplo: se os juros estão baixos, então o acesso a empréstimos (vulgo dinheiro) está fácil. Assim, a galera pode pegar altas granas, comprar, gastar, coisa e tal. Daí o cara que tá lá vendendo batata a R$ 1,00 se dá conta que a demanda está alta – porque tá todo mundo com os pilas nos bolsos. Ele decide fazer o que? Isso mesmo, aumentar a batata pra R$ 3,00 – já que vai ter gente querendo comprar igual. Você acabou de presenciar a inflação em ação. Como resposta a esse movimento inflacionário do mercado, o Estado decide subir os juros para diminuir o poder de compra das pessoas e, consequentemente, baixar os preços novamente. Nesse caso, você pega menos empréstimos, a economia fica menos aquecida e a inflação cai. A taxa Selic é usada justamente pra controlar situações como essa.

A ilusão da inflação: não caia nessa não!

Com essas variáveis, você pode até pensar “ôpa, então vou investir num título de governo pro meu dinheiro render esse % também!”. Seria incrível ter essa taxa de 12 a 14 % ao ano – quase 1 % ao mês – de rendimentos, né? Sim, mas infelizmente não seria um rendimento real (#fakenews). Acontece que, embaixo da Selic, tem a inflação – que é algo que você tem que levar em conta na hora de calcular a possibilidade de rendimento do seu investimento. Se você for se informar no noticiário sobre a inflação, verá que o governo se baseia num índice chamado IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Já ouviu falar? Basicamente, se o IPCA tá subindo, quer dizer que a inflação tá subindo também. E, se a inflação está subindo, é aquilo que você já sabe…o Governo aumenta os juros pro dinheiro ficar mais caro! Caso contrårio (inflação baixando), o BC passa a baixar os juros também.

Tivemos uma época que a taxa Selic tava lá em 14%, aí o governo começou a baixar para 13%, 12%, 11% e agora, em 2019, chegamos a 6,5%. O cara que tava investindo nessa época dos 14%, achava que tava ganhando tudo isso de rendimento. Não, mermão! Você precisa levar em conta o % de inflação também. Nessa mesma época, o IPCA tava em 10%, então na verdade o faturamento real era de 4% (diferença entre 14% e 10%). Se a taxa Selic cai pra 7%, por exemplo, e a inflação cai pra 3%, você segue ganhando 4%. Falamos tudo isso pra dizer que: se você tá “aproveitando” o juros alto do governo sem levar em conta o % do IPCA, então você não tá considerando o quanto a inflação tá te tirando de poder de compra.

Assim, se o IPCA estiver mais alto que o seu investimento, você ficará só com a impressão que tá ganhando dinheiro, enquanto, na verdade, estará perdendo poder de compra. Vai achar que tá arrasando lá com o dinheiro na previdência, mas quando for sacar lá na frente perceberá que inflação papou o seu dinheiro. Comeu seu poder de compra. Imagine, por exemplo, que os juros e a inflação estão altíssimos e que, daqui a 1 ano, você já tem 1 milhão na conta. Só que daí, com aquele seu 1 milhão, você já não compra mais nem metade do que comprava quando começou a investir. Então é muuito importante ficar de olho na taxa Selic, no IPCA e na inflação quando se está investindo.

CDB: se dê bem você também!

A taxa Selic influencia também no CDB (Certificado de Depósito Bancário), sendo a taxa que o banco te paga para você emprestar um dinheiro pro banco. Sempre que você põe sua grana numa renda fixa qualquer – seja de banco grande ou pequeno – você está emprestando dinheiro pro banco. Da mesma forma, o banco usa esse dinheiro que lhe foi emprestado para emprestar para seus clientes a taxas bem maiores. Ambos ganham nessa operação, pois parte da taxa é repassada pra você.

Assim, se a Selic estiver a 7%, o CDB muitas vezes vai ser igual a taxa Selic, ou variar um pouquinho. O motivo dessa possível variação é porque grandes bancos pagam menos CDB do que os pequenos bancos. Afinal de contas, quanto maior o banco, menos ele tem a necessidade de atrair novos clientes, em comparação com os bancos pequenos que querem ser mais atrativos ao público para poder crescer. O governo percebeu o receio das pessoas em botar seu dinheiro em bancos pequenos e, para isso, criou o FGC: fundo garantidor de crédito. Esse fundo garante a segurançå do seu investimento da seguinte forma: até R$ 250.000,00 investidos em determinado banco, o governo garante te ressarcir caso ele vá a falência ou desapareça. Então, talvez valha a pena você investir em instituições menores que te oferecem melhores taxas, já que você possui essa segurança em investimentos de até 250 mil reais por CPF em cada instituição. Cabe lembrar que você tem o direito de fazer isso em 4 instituições, ou seja, você pode ter esse valor em 4 bancos diferentes, totalizando um investimento de 1 milhão de reais.

A próxima sigla do nosso vocabulário é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que tem bastante a ver com o nosso amigo CDB. O CDI é a sigla que define a negociação entre os bancos, e a variação do seu % acompanha de perto a variação da taxa Selic.

Siglas do mal: significados e dicas para escapar delas!

Agora, vamos falar do que incomoda: impostos! Você já deve ter ouvido falar em IOF, certo? É o tal Imposto sob Operações Financeiras. O IOF é um pé no saco porque acaba sendo a taxa que você tem que pagar caso decida retirar um dinheiro aplicado antes de fechar 30 dias. Então, por 30 dias, você não pode tocar numa grana que tem a incidência de IOF. O lado bom é que, depois desse período, o IOF zera! Temos também o IR, que é o famoso Imposto de Renda. Vamos falar como ele impacta em investimentos, e não em relação à pessoa física. Normalmente, se você tira uma grana investida em menos de 180 dias depois de investir, o IR vai morder 22,5% daquilo que você faturou. Que dor, né. Se você quer que esse percentual diminua o máximo possível, terá que se segurar pra não resgatar o dinheiro antes 720 dias. A partir daí, o % do IR diminui para 15%!

Felizmente, também existem investimentos nos quais o IR não se aplica. Se você colocar o dinheiro na poupança (que já vimos que não é uma boa ideia) ou no LCI, LCA e alguns outros investimentos, tudo que você ganhar escapa da mordida do Imposto de Renda. Isso não quer dizer, necessariamente, que esses são os melhores investimentos a se fazer. Você precisa levar em consideração o % de rendimento que terá, pois mesmo sem o IR descontado, pode ser um faturamento menor do que outros investimentos que tenham o IR incidindo sobre eles. Sacou a lógica? Lembre-se que quem define esses numerozinhos já leva em conta que você não vai pagar imposto de renda, então é o famoso toma lá dá cá: pra compensar, a sua taxa de rendimento acaba sendo menor. No fim, não compensa.
Esperamos que você tenha entendido esse monte de siglas, e também reforçamos que temos um material de apoio para você consultar: (internalink.com.br). É a sua colinha de linguagem financeira.

Na próxima aula, vamos falar de renda fixa e ativos! Bora se ativar $$$$

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