—  Adeus poupança!
Tenho R$ 5.000 para investir, o que faço?

“Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval…”, já cantava Paulinho da Viola, naquele baita samba.

E eis que então, subitamente, “sobram” aqueles R$ 5000 (saque do FGTS, por exemplo!) e você que achava que quando tivesse esse dinheiro estaria mais tranquilo, se pega ansioso, tendo que decidir o que fazer com ele.

Não se aflija, “Super Mouse é seu amigo, vai salvá-lo do perigo!” 😉

super mouse

Gastar tudo

A mais óbvia das opções, mas cá entre nós, de longe não é a melhor. A não ser que esse dinheiro não faça diferença alguma no seu patrimônio, é sempre melhor separar, ao menos, parte desta grana para os dias chuvosos. Antes de gastar tudo, pense que pode ser uma boa oportunidade para começar a poupar, pois com quantidades um pouco maiores você acaba tendo acesso a alguns produtos de melhor rendimento. Se ainda assim, você está com raiva de si mesmo ou precisa se fazer um carinho se presenteando com algo especial, vai fundo! Só tente fazer o exercício de entender se isso realmente é importante e não só uma compra por impulso (como um amigo que comprou uma moto bêbado em uma balada e não tinha sequer habilitação para dirigir a moto e ficou pagando prestações por 2 anos).

Duas dicas para te ajudar a saber se realmente vale gastar:

  1. deixe para o dia seguinte – se for realmente importante, você ainda vai poder voltar e comprar. Não aceite pressão de vendedores.
  2. compre experiências e boas lembranças, não coisas. Tente visualizar que experiência a aquisição vai lhe trazer e não o bem em si. Bens tendem a trazer felicidade momentânea, mas não duradoura. Boas experiências e lembranças nos trazem felicidade por um bom tempo.

Se consumismo é seu ponto fraco, vale a pena dar uma olhada neste outro texto que fizemos.

CDB

A partir de R$ 5000 já é possível comprar CDB’s com bom rendimento. O que é o CDB? A sigla quer dizer Certificado de Depósito Bancário. De forma rápida, é um dinheiro que você empresta para o banco para que ele possa emprestar para alguém e, em troca disso, o banco te paga juros.

A vantagem do CDB é que ele é protegido pelo FGC, ou Fundo Garantidor de Crédito, um dinheiro que os bancos reservam para salvar esse tipo de investimento, caso o banco emissor (que te vendeu o CDB) quebre. O limite de ajuda é de até R$ 250 mil por produto, por banco, ou seja, seus R$ 5 mil devem estar seguros. O prazo médio para restituição é de 3 a 4 meses e, neste período, o valor não é corrigido.

A grande desvantagem é que o CDB geralmente tem a tal da carência. O dinheiro fica bloqueado até o vencimento do título. Isso chamamos de baixa liquidez. Se quiser sacar antes, vai ter que abrir mão de parte ou do rendimento total do período de investimentos. Os prazos comuns são de 1 a 5 anos. Quanto maior o prazo, melhores as taxas de juros que te pagam, mas também maior a incerteza: “e se eu precisar desse dinheiro?”.

Na hora de comprar um CDB é muito importante comparar rendimentos (geralmente uma porcentagem do CDI – taxa referência de juros do mercado), o risco e a carência (até quando seu dinheiro ficará bloqueado).

Poupança

É uma boa alternativa a queimar o dinheiro, ou comprar uma moto bêbado em uma balada. Brincadeiras à parte, a poupança é a alternativa mais cômoda, pois você consegue fazer a operação dentro da sua própria conta do banco, mas suas vantagens praticamente param por aí.

Ao invés do do FGC ela é garantida pelo governo federal. A poupança talvez seja a mais segura das alternativas, mas, como qualquer investimento, não está livre de riscos. Lembra do Collor congelando as poupanças? Provavelmente não, mas sim, aconteceu. Ele fechou as portas e “ninguém entra, ninguém sai”. A ideia era bloquear por 18 meses, mas acabou tendo que abrir o cerco antes, devido à pressão popular.

Se você for investir na poupança, é muito importante ficar atento ao dia de aniversário (não ao seu, ao da poupança!). Apesar de ter liquidez diária (você pode sacar a qualquer momento), a poupança tem uma “data de aniversário”, quando o rendimento do mês é computado (todo dia 18 de cada mês, por exemplo). Se você sacar o dinheiro um dia antes do aniversário (dia 17), o rendimento da poupança será zero naquele mês. A poupança é isenta de imposto de renda, mas seu rendimento é tão menor ao de aplicações tão seguras quanto, que não vale a pena.

Tesouro do Governo

Os títulos do tesouro se popularizaram muito nos últimos anos. Com um investimento mínimo de R$ 30, acabou se tornando uma ótima alternativa à poupança, com segurança parecida e rendimentos melhores.

Não iremos conseguir entrar aqui no detalhe de cada um dos títulos, pois cada um tem suas particularidades. O mais importante é entender que existem dois tipos:

  • Títulos pós-fixados: são os mais tranquilões, pois são corrigidos por algum índice (SELIC). São de menor risco, você não sofre com as oscilações de preços e pode resgatar quando quiser.
  • Títulos pré-fixados: este já tem um pouco mais de emoção. A taxa de juros total já está decidida na contratação. Ou seja: quando você comprar, já está definido no título: você irá receber 10% ao ano, pagos semestralmente, até 2027. A emoção vem com a variação nas taxas de juros. Se os juros subirem depois de você já ter comprado o seu título, o valor dele cai. Se os juros caírem, o valor dele sobe.

Ao contrário do CDB, os títulos do tesouro tem liquidez diária, você pode vender a qualquer momento. Ganham ponto neste quesito os pós-fixados. Como eles não sofrem oscilações de preço você terá seu dinheirinho certo para resgatar. Já os pré-fixados podem estar suscetíveis a tal da volatilidade (uuuhh, palavrão). Como o valor deles pode mudar com a subida ou queda dos juros, exagerando um pouco, hoje seu título pode valer R$ 5000, no mês seguinte pode valer R$ 4500 no outro mês R$ 5.500.

Escolher o título correto é a parte mais complexa. Você precisa decidir qual comprar (pré, ou pós, se LFT, LTN, NTN-B ou NTN-F) e em qual vencimento comprar para seu perfil e objetivo. Para quem gosta de se aprofundar no tema, o próprio site do Tesouro Direto é repleto de informações que ajudam quem quer investir. Mas se você está começando e quer uma alternativa muito melhor à poupança, sem dúvida o Tesouro Pós-fixado (Tesouro Selic/LFT) é a melhor pedida.

Fundos de investimento

Os fundos de investimento são, em geral, uma boa opção. Os fundos mais populares são de renda fixa, multimercado e fundos de ações. Há vários outros (imobiliário, direitos creditórios, etc), mas esses são para investidores mais avançados e, geralmente, não acessíveis para quem tem R$ 5000.

Os fundos são uma instituição que capta recursos para investir em ativos, sejam ações, títulos (do governo ou CDB’s, como falamos acima) ou ambos. Um ponto forte dos fundos é que há um profissional cuidando dos investimentos. Esse cara é o gestor do fundo. Se um determinado papel (outro nome genérico para ação ou título) do fundo não vai bem, o gestor analisa e pode decidir vender para comprar outro título mais seguro ou de rendimento melhor. Se seu dinheiro está aplicado diretamente nos papéis, você tem que acompanhar e tomar essas decisões.

Há certa complexidade de escolha (o “cardápio” de fundos é quase infinito), o valor mínimo de fundos bons é muitas vezes superior a R$ 5000 e a taxa de administração costuma ser alta (3% ao ano não é incomum). Além disso, a maioria dos fundos de ações tenta ganhar do mercado: o gestor tenta atuar como o oráculo de Delfos e fica tentando adivinhar o que vai aumentar de preço e o que vai baixar, tomando assim suas decisões de compra ou venda (chamamos isso de gestão ativa). Isso tende a não funcionar bem no longo prazo. Há estudos que mostram que 70% dos fundos em que o gestor tenta ganhar do índice (índice de referência: a média da bolsa), no fim acaba perdendo.

Para investir em um fundo, é necessário ter uma conta em uma corretora, uma gestora ou você pode utilizar seu banco.

Ações

Ações são ótimo investimento…quando na medida certa e com pensamento de longo prazo. Ter uma parcela de ações em seus investimentos pode ser muito saudável, pois o retorno esperado no longo prazo pode ser bem significativo, mas colocar 100% do capital é muito arriscado. Ações carregam um componente de volatilidade muito grande.

Além disso é importante diversificar, não é prudente colocar todo seu dinheiro nas ações de uma empresa só. Não diversificar é apostar em um cavalo só, tendo só uma ficha. Isso pode ser visto quase como uma alternativa ao cassino. Pode dar muito certo, mas as chances de dar errado são muito altas. A boa alternativa volta a ser investir através de um fundo de ações ou um ETF, que é parecido com um fundo.

Pagar dívidas atrasadas

Os juros no Brasil para atrasos são os mais altos do mundo (talvez a Zâmbia seja pior – ou era Zimbábue?). Não há bom investimento que pague mais juros que uma dívida em cheque especial ou uma fatura de cartão de crédito atrasada. Não há o que titubear: se subitamente sobraram R$ 5000 e você tem alguma dívida, quite-a! Eu sei que dói, mas com menos dívidas você vai estar mais aliviado, com a cuca fresca para poder investir bem na próxima vez que sobrar um dinheirinho. Comece sempre pagando as dívidas de juros maiores.

Há uma única exceção: se você possui uma dívida com juros baixos (normalmente dívida de imóveis), que sejam menores que a poupança, vale a pena esperar e pagar somente no prazo.

Independente da dívida, sempre negocie com o credor. Principalmente em dívidas atrasadas, o credor geralmente está disposto a abrir mão de parte dos juros para receber o principal.

Warren

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Resumindo

Se você tem R$ 5000, você pode: